Monitorização da qualidade do ar na Escola EB 2,3 de Pevidém evidencia a importância da educação ambiental e da adoção de hábitos mais sustentáveis.
A qualidade do ar é um dos fatores ambientais com maior impacto na saúde pública. Apesar de respirarmos, em média, cerca de 20 mil vezes por dia, nem sempre temos consciência da qualidade do ar que nos rodeia e das suas consequências para a saúde. Foi precisamente para responder a esta necessidade que surgiu o projeto Respirar Fundo, uma iniciativa de ciência cidadã e educação ambiental da Bora Ambientar que pretende monitorizar a qualidade do ar nas imediações de escolas portuguesas, sensibilizando a comunidade educativa para a relação entre poluição atmosférica, alterações climáticas e mobilidade sustentável. Entre os seus principais objetivos destacam-se a criação de uma rede de monitorização da qualidade do ar nas escolas e a promoção de hábitos de mobilidade mais sustentáveis.
No âmbito deste projeto, a Escola Básica 2,3 de Pevidém monitorizou a qualidade do ar entre 4 de maio e 22 de junho de 2026, recorrendo a uma estação profissional KUNAK. A análise revelou que, embora predominassem dias com qualidade do ar moderada, ocorreram diversos episódios classificados como “maus” e, pontualmente, “muito maus”, sobretudo devido ao aumento das concentrações de ozono troposférico (O₃). Este poluente forma-se na atmosfera a partir de reações fotoquímicas entre óxidos de azoto e compostos orgânicos voláteis, favorecidas por temperaturas elevadas e forte radiação solar.
Os resultados mostram ainda que os picos de poluição coincidiram com os períodos mais quentes do dia, entre o meio-dia e o final da tarde, sendo influenciados pelas características locais da região, como a proximidade de zonas industriais, o intenso tráfego rodoviário, a topografia em vale e a proximidade ao rio Selho, fatores que dificultam a dispersão dos poluentes. A monitorização indica igualmente que a degradação da qualidade do ar esteve associada sobretudo à formação de ozono, enquanto as partículas em suspensão tiveram um contributo menos significativo durante o período analisado. As partículas em suspensão (PM₂.₅ e PM₁₀) tiveram um impacto secundário, concluindo-se que a poluição observada foi predominantemente de origem fotoquímica.
As implicações destes resultados merecem particular atenção. A exposição a níveis elevados de ozono pode provocar irritação das vias respiratórias, tosse, dificuldade respiratória e redução da função pulmonar, afetando sobretudo crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, como a asma. A exposição repetida pode ainda agravar doenças cardiovasculares e aumentar a procura por cuidados de saúde, constituindo um problema de saúde pública.
Ao longo do ano letivo, e no âmbito deste projeto, os alunos desenvolveram igualmente diversas iniciativas de informação e sensibilização dirigidas à comunidade educativa, promovendo a reflexão sobre a importância da qualidade do ar, das alterações climáticas e da adoção de hábitos de mobilidade mais sustentáveis. Desta forma, a monitorização real e em loco da qualidade do ar foi complementada por ações de educação ambiental que procuraram transformar o conhecimento científico em atitudes e comportamentos mais responsáveis.
Conhecer a qualidade do ar é, por isso, o primeiro passo para agir. A monitorização realizada na Escola EB 2,3 de Pevidém demonstra a importância de recolher dados locais que permitam compreender melhor os fatores que influenciam a poluição atmosférica e apoiar a adoção de medidas que contribuam para melhorar a qualidade do ar. Reduzir o tráfego automóvel junto às escolas, incentivar a mobilidade ativa, aumentar os espaços verdes e promover comportamentos ambientalmente responsáveis são algumas das ações que podem traduzir-se em benefícios para a saúde individual e coletiva.
Professores responsáveis: Jenny Cunha e José Santos



